Tempestades e capitalismo

Tempestades e capitalismo

Diversas tempestades assolaram o país nas últimas semanas, afetando particularmente os distritos de Leiria, Santarém, Setúbal e Alentejo. Imensas habitações destruídas, em todo ou em parte, empresas, unidades de produção agrícola, estradas e outras vias de comunicação terrestre, comunicações, fornecimento de eletricidade e água interrompidos, situações que em muitos casos ainda se mantêm. Na sua esmagadora maioria estamos perante situações recorrentes e é com frequência que se ouve na boca do povo a expressão, não se aprendeu nada com as situações anteriores. Ou seja, nada foi feito para prevenir situações futuras. E os desastres voltaram a acontecer, sempre mais violentos que os anteriores.

O governo anunciou apoios que alguns dias depois o próprio governo trataria de reduzir e de colocar condições que anteriormente não havia referido.

O preço de um equipamento que se tornou fundamental – os geradores de energia – para além de terem esgotado, foi duplicado e até triplicado. É o mercado a funcionar, certamente. Outro produto, talvez o mais procurado, as telhas, duplicaram e triplicaram o preço, para além de não haver quantidades suficientes. Portugal quase não produz telhas, passámos de exportadores a importadores. As chaminés das olarias passaram a ser elementos decorativos em algumas urbanizações ou nas paisagens desertificadas.

Não há uma política florestal que preserve as espécies autóctones em detrimento de espécies de rápida faturação. As florestas deixaram de ser povoadas pelos rebanhos que as mantinham e limpavam, sem as destruírem, e assim asseguravam a consolidação das terras. Hoje com frequência assistimos a derrocadas de terras por essa razão.

A política de urbanização a todo o vapor também tem motivado situações de derrocadas e o desaparecimento de importantes manchas arbóreas.

Tudo isto sem uma adequada posição popular. Em muitos casos deixou-se de reivindicar para se bajular. Falta uma vanguarda justa e organizada, à classe operária e aos trabalhadores, que seja determinante na sua organização e na luta pelos seus direitos e necessidades pontuais, como neste caso das tempestades.

Foto: https://www.cmjornal.pt/sociedade/clima/detalhe/depressao-que-afeta-espanha-vai-chegar-portugal-saiba-o-que-esperar