Partido Comunista da Palestina – Intervenção no Encontro internacional dos Partidos Comunistas e Operários em Havana

Camaradas,

Secretário-Geral do Partido Comunista de Cuba, dirigentes e representantes dos partidos comunistas e operários, distintos convidados:

Em nome do Partido Comunista da Palestina, o partido da classe trabalhadora palestiniana, enviamos-vos as nossas mais elevadas saudações revolucionárias, desejando o sucesso do nosso 24.º Encontro Internacional na sua luta para unificar as fileiras do nosso movimento comunista face à feroz ofensiva imperialista contra os nossos povos.

Enviamos também uma saudação especial de respeito e admiração ao povo revolucionário de Cuba e ao seu Partido Comunista, reunidos hoje na terra firme da Revolução Cubana, que enfrenta os maiores ataques imperialistas e o injusto bloqueio económico e financeiro desde a invasão da Baía dos Porcos. O nosso encontro coincide com o centenário do nascimento do pai da Revolução Cubana, o imortal camarada Fidel Castro, e realiza-se perto dos antros do colonialismo, onde o povo cubano livre construiu o socialismo e provou ao mundo que os povos são capazes de vencer. Reafirmamos a nossa total solidariedade para com Cuba e exigimos a sua remoção permanente de quaisquer listas unilaterais de organizações terroristas.

O contexto internacional e a crise do capitalismo

Camaradas, o nosso encontro decorre num contexto internacional altamente complexo, marcado por uma perigosa aceleração das transformações globais. O capitalismo global, na sua fase imperialista, atravessa uma profunda crise estrutural: uma crise insolúvel de sobreprodução.

Historicamente, o capitalismo resolveu as suas contradições e crises instigando guerras, sejam conflitos de grande escala como a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, ou guerras menores no Vietname, Coreia, Iraque, Afeganistão e, mais recentemente, no Irão. Hoje, esta feroz luta imperialista por matérias-primas, mercados, rotas comerciais e energia está a intensificar-se. As potências capitalistas, lideradas pelo imperialismo americano e pelos seus aliados, recorrem à militarização e ao fomento de tendências chauvinistas, da extrema-direita, de regimes racistas e do fascismo quando a burguesia democrática se mostra incapaz de conter estas crises. A posição marxista-leninista fundamental afirma que as guerras entre potências capitalistas visam sempre o controlo das fontes de riqueza.

O nosso partido vê a guerra russo-ucraniana como uma expressão da crise e das contradições do sistema capitalista global, e da luta entre potências imperialistas por influência, interesses e posições estratégicas. Esta guerra não pode ser compreendida isoladamente das políticas de expansão militar da NATO e da hegemonia americana após o colapso do socialismo na União Soviética. Ao mesmo tempo, o uso da força militar por parte da Rússia ou a violação da soberania da Ucrânia não podem ser justificados. A Rússia atual é um Estado capitalista governado por interesses de classe e geopolíticos, não uma alternativa socialista à hegemonia ocidental.

A posição de princípio das forças comunistas e da classe trabalhadora baseia-se na rejeição das guerras imperialistas sob todas as suas formas e na recusa em permitir que os povos sejam utilizados como combustível para os conflitos das grandes potências. As principais vítimas desta guerra são os trabalhadores, as massas trabalhadoras e o povo, enquanto as empresas de armas e os grandes monopólios lucram com ela. Portanto, a solução reside em acabar com a guerra, recorrer a uma solução política que garanta os direitos e a soberania dos povos, e lutar por uma ordem internacional mais justa baseada na paz e na cooperação entre as nações, livre da hegemonia e da polarização militar.

A ofensiva fascista na Palestina, no Líbano e na região

Caros camaradas, a ofensiva capitalista e imperialista contra os povos da nossa região assumiu a sua face fascista mais hedionda através da aliança do sionismo fascista e do extremismo religioso, uma vez que a guerra na Faixa de Gaza se transformou num dos crimes mais hediondos de genocídio, limpeza étnica e fome sistemática da era moderna, para quebrar a vontade do nosso povo e desenraizá-lo da sua terra.

Ao mesmo tempo, a Cisjordânia, incluindo Jerusalém ocupada, enfrenta as formas mais brutais de apartheid e de expansão desenfreada dos colonatos. A Cisjordânia foi dividida por mais de 1. 300 portões eletrónicos e postos de controlo militar, transformando-a em enclaves isolados e zonas destinadas a erradicar a presença nacional histórica do nosso povo.

Esta agressão sionista criminosa não se limitou à terra da Palestina, tendo-se estendido ao nosso irmão Líbano e ao seu povo resiliente, através de um ataque brutal contra áreas residenciais e civis, numa flagrante violação da sua soberania nacional. Trata-se de uma tentativa flagrante sionista-imperialista para alargar o âmbito da guerra e impor a submissão às forças de resistência na região. A partir desta tribuna, declaramos a nossa inabalável solidariedade internacional para com o povo irmão libanês e a sua corajosa resistência no confronto contra esta agressão sionista brutal.

Nesse mesmo contexto, a repetida agressão e as ameaças americano-sionistas contra o Irão e a sua soberania são vistas como parte integrante da estratégia imperialista para subjugar toda a região e desmantelar qualquer eixo que entrave a hegemonia absoluta do imperialismo americano e do seu aliado sionista sobre os recursos energéticos e as vias navegáveis estratégicas. Vemos esta agressão como uma tentativa de impor novas equações coloniais pela força das armas e por sanções económicas paralisantes. Reafirmamos a nossa posição de princípio de defesa do direito absoluto dos povos de protegerem a sua soberania e independência nacional face aos planos imperialistas que procuram incendiar uma guerra regional abrangente, servindo apenas os interesses do complexo industrial-militar e das redes de capital monopolista.

A luta do Partido Comunista da Palestina e a visão de futuro

Caros camaradas, o nosso partido, o Partido Comunista da Palestina, está plenamente empenhado com todos os seus recursos e quadros na linha da frente do confronto contra esta ofensiva sionista fascista. Na Faixa de Gaza, o partido está a fazer sacrifícios imensos, derramando sangue à medida que vários dos nossos camaradas tombaram como mártires na batalha contra a ocupação e a sua agressão. Na Cisjordânia, os nossos camaradas são submetidos a constantes prisões e perseguições.

Nestas circunstâncias complexas, o nosso partido continua a sua luta sob todas as formas para restaurar os nossos direitos nacionais legítimos. Concentra os seus esforços incansáveis no terreno para formar uma ampla frente nacional que una as forças ativas que se opõem à ocupação e à abordagem liquidacionista de “Oslo”. Esta frente está gradualmente a tomar forma hoje, apesar de todas as restrições e perseguições impostas pelo aparelho de segurança da Autoridade Palestiniana, que é cúmplice da ocupação e visa o nosso partido e as forças de resistência nacional.

Camaradas, a luta do povo palestiniano não é apenas um conflito político local, mas uma parte integrante e uma frente avançada na luta internacional contra o imperialismo, o colonialismo e a pilhagem. Por conseguinte, sublinhamos a partir desta tribuna a importância primordial do papel do movimento comunista internacional. O imperialismo opera como uma entidade interligada a nível internacional, e o seu confronto exige uma resposta e uma luta internacionais unificadas baseadas na unidade da classe trabalhadora e dos povos oprimidos.

A história provou que a unidade do movimento comunista tem sido sempre a salvaguarda e a pedra angular da vitória sobre o fascismo e o colonialismo, e que a erosão desta coordenação dá espaço aos inimigos para imporem as suas agendas. Por conseguinte, apelamos ao desenvolvimento de formas de coordenação mais eficazes, à organização de campanhas de solidariedade e boicotes abrangentes à ocupação, à resistência coletiva contra os bloqueios imperialistas, as sanções e as alianças militares, e à reconstrução do projeto socialista global sobre bases marxistas-leninistas revolucionárias.

Por conseguinte, o nosso partido reafirma perante vós, camaradas, a sua inabalável posição histórica: a proposta do Partido Comunista da Palestina e a sua solução justa para a questão palestiniana não se encontram dentro das fronteiras de 1967. Rejeitamos esta divisão e enfatizamos o nosso objetivo fundamental de desmantelar completamente o projeto colonial de povoamento sionista e estabelecer um único Estado democrático em toda a terra palestiniana — um Estado para todos os seus filhos e filhas, onde todos os componentes vivam com base na plena igualdade de direitos e deveres, sem qualquer discriminação nacional, religiosa ou étnica. Este Estado garantirá o direito sagrado de regresso dos refugiados palestinianos aos seus lares, em conformidade com a Resolução 194 da ONU, e abrirá caminho rumo ao socialismo e à justiça social.

Em conclusão, expressamos a nossa profunda gratidão e apreço ao Partido Comunista de Cuba pela calorosa receção e hospitalidade ao acolher este importante encontro. Reafirmamos a nossa convicção de que a bandeira dos trabalhadores internacionais continuará a arvorar-se bem alto, e de que os povos livres são capazes de derrotar a ocupação, o fascismo e o imperialismo, construindo um novo mundo de paz e socialismo.

  • Glória aos povos em luta!
  • Glória à solidariedade internacional!
  • Liberdade para toda a Palestina, do rio até ao mar!
  • Viva o internacionalismo comunista!

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