
As reações à operação militar do Estado israelita contra o Irão continuam no seio de Israel, apesar da crescente repressão e das medidas autoritárias do Estado contra as vozes anti-guerra.
Na noite de sábado, manifestantes reuniram-se na Praça Habima, em Telavive, para protestar contra a decisão do governo de prosseguir com o ataque militar. Os manifestantes empunhavam faixas e cartazes onde se liam slogans como “Travem a agressão imperialista” e “Justiça para a Palestina”, apelando à resistência à guerra e ao envolvimento mais profundo de Israel no conflito regional.
Condenação da violência policial
Ofer Cassif, deputado comunista do Knesset (Parlamento israelita), condenou a repressão policial ao protesto:
“Cinco minutos — foi tudo o que a milícia do ministro precisou para dispersar ilegalmente a nossa manifestação anti-guerra.”
Cassif sublinhou que o ataque imperialista ao Irão “nada tem a ver com a liberdade e o bem-estar do povo iraniano, nem com a segurança dos israelitas”. Segundo o deputado, a escalada serve, ao invés, os “interesses políticos e económicos do grupo Trump–Netanyahu”. Acrescentou ainda que a luta continuará, enfatizando que “nenhuma perseguição política ou violência policial nos quebrará ou nos desviará do nosso caminho”.
Mobilização em Haifa
Entretanto, na cidade de Haifa, no norte do país, cerca de quarenta cidadãos árabes e judeus participaram numa manifestação exigindo o fim da guerra no Irão e no Líbano. Entre os presentes estavam o deputado Ayman Odeh, da coligação Hadash, e Raja Za’atara, representante da mesma coligação no Conselho Municipal de Haifa.
O protesto foi organizado com a participação da coligação “Parceria para a Paz”, cujos representantes pediram a cessação imediata das hostilidades:
- “Esta é uma guerra de escolha que nos põe a todos em perigo.”
- “O governo escolhe, mais uma vez, um caminho perigoso de guerra sem fim que traz perda de vidas, destruição e dor, sem qualquer solução política.”
Os membros da coligação recordaram ainda que, há apenas oito meses, o governo declarara que a chamada “ameaça iraniana” fora eliminada por gerações. “Mentiram-nos na altura e estão a mentir-nos agora”, afirma o comunicado, acrescentando que o ataque ao Irão — a par dos crimes em curso contra os palestinianos sob a sua cobertura — não trará segurança.
Intensificação da repressão
O clima de repressão contra ativistas anti-guerra intensificou-se. Na semana passada, Itamar Greenberg, um objetor de consciência (recusando servir na ocupação), foi detido à força durante uma vigília contra a guerra na Praça Habima. Segundo Greenberg, foi submetido a uma revista corporal intrusiva e ilegal numa esquadra de polícia. Afirmou que tais revistas se tornaram “uma prática comum da polícia contra opositores do governo de direita”, com o objetivo de humilhar, reprimir politicamente e punir a dissidência.
Fonte: https://www.idcommunism.com/2026/03/defying-police-crackdown-israeli-communists-protest-against-us-israel-aggression-towards-iran.html#mor, 09.03.2026




