Quem somos e o que queremos

A ISKRA–Associação de Estudos Marxistas-Leninistas, constituída em 18 de setembro de 2017, é uma associação sem fins lucrativos que tem como finalidade,

o estudo, desenvolvimento, promoção e divulgação de trabalhos científicos, no domínio do marxismo-leninismo, nomeadamente: a) Promover sessões abertas de leitura e discussão dos clássicos e contemporâneos do marxismo-leninismo; b) Promover a organização de reuniões, congressos, conferências, cursos e outras atividades conexas; c) Promover o contacto com associações congéneres, nacionais e estrangeiras, com objetivos idênticos” – art.º 2.º dos Estatutos, publicados noutro local deste sítio.

Consideramos que, hoje, há uma insuficiente discussão ideológica para contrariar a ideologia dominante – o capitalismo/imperialismo. Este, negando ser ideológico e afirmando a desnecessidade das ideologias, a chamada desideologização, pretende impor-se como ideologia única. Em paralelo, tenta-se criminalizar a teoria científica do marxismo-leninismo e o papel que desempenhou e continua a desempenhar na luta revolucionária pelo fim da exploração e por uma sociedade sem classes.

A insuficiência na discussão é sobretudo notória no âmbito de iniciativas sem o peso de grandes conferências ou congressos, onde se possa efetuar um esclarecimento e uma reflexão mais pormenorizados, sem a pressão do tempo, com a clarificação de dúvidas teóricas e práticas, num ambiente de informalidade e sem constrangimentos.

Na concretização dos nossos objetivos, iniciámos as sessões de leitura/debate pelo Manifesto Comunista, de Marx e Engels, – marco teórico fundamental da luta e do papel da classe operária na luta de classes –, seguido de O Estado e a Revolução e A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky, de Lénine, e dos Princípios Básicos do Comunismo, de Engels. Pretendemos continuar a análise das obras dos clássicos, mas também de autores contemporâneos com reflexões e estudos sérios sobre o marxismo-leninismo.

Pretendemos também desenvolver iniciativas de caráter cultural (exposições, teatro, cinema, museus, etc.), relacionados com o objeto da nossa intervenção – a promoção do marxismo-leninismo.

Em simultâneo com a ativa participação de todos nós em organizações políticas, sindicais, ou sociais, esperamos desta forma dar um contributo positivo à consciencialização da necessidade do reforço da luta de classes e da revolução proletária, por uma sociedade sem a exploração do homem pelo homem, o socialismo e o comunismo.

 

 

Porquê ISKRA?...

Adotamos esta palavra russa, que significa “centelha” ou “chispa”, porque foi o nome do primeiro jornal marxista ilegal de toda a Rússia, fundado em 1900, por Lénine, grande teórico da revolução socialista e dirigente da maior experiência histórica do poder do proletariado. O primeiro número saiu em dezembro desse ano, em Leipzig.

Como se realça na nota 103, do primeiro tomo das Obras Escolhidas de V. I. Lénine (Edições Avante! 1977), a ISKRA

«Desempenhou um papel decisivo na criação do partido marxista revolucionário da classe operária. … Lénine foi de facto o [seu] redator-chefe e diretor, escrevendo artigos sobre todas as questões fundamentais da edificação do partido e da luta de classe do proletariado da Rússia.

O ISKRA converteu-se no núcleo de unificação das forças do partido e de seleção e educação dos seus quadros. Numa série de cidades da Rússia (Petersburgo, Moscovo, Samara e outras) foram constituídos grupos e comités do POSDR, de orientação leninista-iskrisra. Em janeiro de 1902, em Samara, no Congresso dos iskristas, foi fundada a organização russa do ISKRA.

Por iniciativa de Lénine e com a sua participação direta, a redação do Iskra elaborou o projeto de programa do partido (publicado no n.º 21 do ISKRA) e preparou o II Congresso do POSDR, realizado em julho-agosto de 1903. Numa resolução especial, o Congresso assinalou o papel excecional do ISKRA na luta pelo partido e proclamou-o órgão central do POSDR. O II Congresso aprovou a seguinte composição da redacção: Lénine, Plekhánov e Mártov. Contrariando a decisão do Congresso do Partido, Mártov negou-se a fazer parte da redação, insistindo na conservação nela de todos os seis antigos redatores; e os números 46 a 51 do ISKRA saíram sob a redacção de Lénine e Plekhánov. Posteriormenre, Plekhánov aderiu às posições do menchevismo e exigiu que na redação do ISKRA fossem incluídos todos os antigos redatores mencheviques rejeitados pelo Congresso. Lénine não podia aceitar isso e abandonou a redacão do ISKRA, em 19 de outubro (1 de novembro) de 1903; foi cooptado para o Comité Central, e daí lutou contra os oportunistas mencheviques. O n.º 52 do ISKRA apareceu sob a redação de Plekhánov sozinho. A 13 (26) de novembro de 1904, Plekhánov, arbitrariamente, a despeito da vontade do Congresso, cooptou para a redação do ISKRA os ex-redatores mencheviques. A partir do n.º 52, os mencheviques converteram o ISKRA em seu próprio órgão

É em homenagem à herança ideológica do ISKRA leninista (até ao n.º 51) e ao seu papel político, que abertamente assumimos, que adotamos a palavra russa ISKRA como símbolo da nossa Associação.

2019-09-13