Linguagem e domínio ideológico da burguesia

Sob este título genérico, publicamos quinzenalmente um artigo – de uma série de seis  sobre os abusos e vulgarizações da linguagem que, na prática quotidiana, desvirtuam categorias marxistas e leninistas. Hoje, publica-se o sexto (último) – Conclusão

 

VI

O domínio ideológico da burguesia impõe-se através de diferentes vias, afetando, inclusivamente, a linguagem e, portanto, vocábulos e expressões, provocando e alterando categorias e atribuindo-lhes novos significados.

Neste sentido, para um revolucionário, todos os termos e expressões comum e vulgarmente utilizados pela burguesia têm de ser lidos à luz da sua dominação de classe.

A linguagem, conceitos e categorias socioeconómicas que nos permitem ler e compreender a sociedade são, assim, fundamentais para levar avante a construção do socialismo e, simultaneamente, pôr-nos em guarda relativamente a propostas e linhas de ação que contrariam a perspetiva de transformação revolucionária das relações de produção impostas pelo capital financeiro.

A afirmação, sem ambiguidades, da sociedade que pretendemos construir obriga-nos, ainda, a um estudo e reflexão constante, para, assim, melhor compreender erros de análise e desvios ocorridos no seio de partidos com uma heroica história de resistência e luta, os quais acabaram por conduzir à (quase) desagregação destes.

A construção de um Estado socialista – e, portanto, de uma organização sociopolítica e económica de domínio de uma classe sobre outra (que, no socialismo, é o domínio do proletariado e de outras classes trabalhadoras, eventualmente em aliança com outras classes e camadas, sobre a grande burguesia nacional e estrangeira, ou seja, é a ditadura do proletariado) – não pode ser feito sem uma política de alianças com outras classes e camadas; contudo, não podemos confundir a aparente construção de soluções governativas, no quadro do capitalismo, com a transformação revolucionária deste.

Ao longo do processo de luta de classes, no quadro do modo de organização socioeconómico construído e dominado pela grande burguesia, tampouco poderemos subestimar a capacidade de integração das massas na luta pelo socialismo nem desvirtuar o conceito de tomada de consciência de classe para si, o qual se opera através das diferentes lutas; neste sentido, consideramos fundamental relembrar os ensinamentos de Lénine quando afirma que a “consciência socialista das massas operárias” é a “única base que nos pode assegurar a vitória” (V.I. Lénine, 1902, Que Fazer?).

Não esqueçamos que não há socialismo sem massas a lutar por ele.

outubro2020