O princípio leninista de coexistência pacífica é muito claro e prontamente compreensível pelos homens simples. A coexistência pacífica refere-se às relações entre países com sistemas sociais diferentes, e não pode ser interpretada ao bel-prazer de quem quer que seja. A coexistência pacífica jamais deve ser estendida às relações entre nações oprimidas e opressoras, entre países oprimidos e opressores, e entre classes oprimidas e opressoras; jamais deve ser considerada como o principal conteúdo da transição do capitalismo ao socialismo; menos ainda como o caminho que conduz a humanidade ao socialismo. A razão é que uma coisa é a coexistência pacífica entre países com sistemas sociais diferentes na qual nenhum dos países coexistentes pode, nem se lhe permite, tocar mesmo que seja um cabelo do sistema social dos outros, e outra coisa é a luta de classes, a luta de libertação nacional e a transição do capitalismo para o socialismo em vários países, que são lutas revolucionárias duras, de vida e morte, que visam mudar o sistema social. A coexistência pacífica não pode, de modo nenhum, substituir as lutas revolucionárias dos povos. A transição do capitalismo ao socialismo em qualquer país só pode ser efetuada através da revolução proletária e da ditadura do proletariado nesse mesmo país.

No processo de aplicação da política de coexistência pacífica, as lutas entre os países socialistas e imperialistas são inevitáveis nas esferas política, económica e ideológica, e é absolutamente impossível uma “colaboração plena”.

Da resposta do Comité Central do Partido Comunista da China, de 14 de junho de 1963, à carta do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética, de 30 de março de 1963 –  https://www.marxists.org/portugues/tematica/1963/06/14.htm