Em 1956, no momento do seu relatório à «sessão secreta» do XX Congresso, Khruchov possuía informações e dados suficientes para poder reconhecer as características particulares da luta de classes na época do imperialismo. Em primeiro lugar, precisava de reconhecer que a luta de classes tinha atingido um carácter internacional, ultrapassando as fronteiras nacionais, e que os países capitalistas estavam solidários entre eles para enfraquecer e destruir o socialismo.

Era preciso ter presente a solidariedade demonstrada pela burguesia alemã e francesa na primavera de 1871, que souberam superar as hostilidades de Estados em guerra para uniram o seu ódio de classe contra a Comuna de Paris, esmagando-a com uma crueldade inaudita. Com esse objetivo, o vencedor Bismarck não hesitou em libertar 100 mil reféns do exército francês, permitindo-lhes que marchassem em armas contra Paris, onde a Comuna se defendia.

Anos depois, a burguesia francesa retribuiu a Bismarck a sua solidariedade de classe, devolvendo-lhe 100 mil homens armados, feitos prisioneiros na Primeira Guerra Mundial, para esmagar os conselhos operários formados na Baviera e na Prússia.

E não deveria ser esquecido que 14 países capitalistas reuniram as suas forças entre 1918 e 1921 para destruir o poder soviético ou que, durante a Segunda Guerra Mundial, os estados imperialistas, entre os quais os Estados Unidos, fizeram tudo para preparar e empurrar a Alemanha a fazer a guerra contra a URSS. Só a visão clara da situação e a previdência de Stáline e do governo soviético foram capazes de atirá-los uns contra os outros e quebrar a sua solidariedade antissoviética.

Pelos seus resultados objetivos, a posição de Khruchov quanto à luta de classes, expressa no seu relatório, é uma revisão da teoria marxista-leninista.

Mikhail Kilev, “Khruchov e a desagregação da URSS” – 1.ª edição em búlgaro, em 1997 –, p. 55

http://www.hist-socialismo.com/docs/Khruchoveadesagregacaodaurss.pdf