Para especialista ouvido pela Sputnik Brasil, a postura do governo Bolsonaro em não apoiar a suspensão de patentes de vacinas contra a COVID-19 representa um rompimento com o projeto de liderança do Brasil entre os países emergentes.

Na última quarta-feira (10 [de março]) foi realizada uma reunião na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, na Suíça, para abordar a situação das vacinas e do acesso aos imunizantes contra a COVID-19.

De acordo com o jornalista Jamil Chade, em sua coluna no portal UOL, a discussão evidenciou, mais uma vez, a existência de um racha entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre a questão da suspensão das patentes das vacinas.

Países como Índia e África do Sul voltaram a defender que a escassez de vacinas no mundo poderia ser resolvida, em parte, com a suspensão das patentes, que permitiriam a produção dos imunizantes em versões genéricas por laboratórios em todo o mundo.

Contudo, os governos de países europeus, dos Estados Unidos e de outras nações desenvolvidas insistem que a quebra das patentes não resolveria a crise e enviaria uma mensagem equivocada para o setor farmacêutico, que fez investimentos pesados para garantir o desenvolvimento dos imunizantes.

O tema foi apresentado no ano passado e, contrariando o seu posicionamento histórico, cujo principal exemplo foi sua posição de liderança durante a quebra de patentes dos medicamentos que compõem o coquetel anti-AIDS nos anos 2000, o Brasil surpreendeu os demais países em desenvolvimento ao ser o único emergente a se posicionar contra a proposta da Índia, e voltou a fazê-lo nesta quarta-feira (10).

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